a Abigail e os meus medos

Eu tenho a sorte de ter uma irmãzinha muito engraçada, criativa e espontânea, que sempre me faz refletir sobre coisinhas do dia-a-dia. Outro dia eu estava deitada em minha cama e, precisando da ajuda dela, apenas mandei uma mensagem no celular: vem cá, por favor. Era muito cedo, e eu, esperando a resposta dela, só leio: não quero me levantar, estou com medo, Abigail tá na sala.

E eu: O quê?? Quem é Abigail? 

Ela simplesmente me explicou que uma esperança ~ um pequeno inseto verdinho ~ estava na parede na nossa sala desde a noite do dia anterior. Essa era a Abigail. E ela completou: Abigail tá aqui já tem um tempo, mas eu tenho medo dela.a Abigail e os meus medos.png

E enquanto ela explicava eu viajei na maionese: o que é essa coisa que tem nome e que a impede de se levantar de medo? Os meus medos já estão por aqui há algum tempo e eu ainda não dei nome pra eles. Talvez porque eles sejam mais silenciosos que esse pequeno inseto. Talvez porque a minha coragem em nomeá-los seja menor do que a da minha irmãzinha. Talvez eu esteja inventando demais pra escrever esse texto.

Mas aí me lembrei que já havia listado alguns de meus medos num caderninho, e assim ficou menos difícil nomeá-los:

#1 medo da felicidade

 toda vez que deixo de fazer uma coisa que me faz bem, que me deixa feliz, por comodismo – é esse medo que me trava. Ou quando eu acho que não sou merecedora de tal alegria, me culpando por aquilo que consegui, ou, simplesmente, não valorizando as minhas próprias vitórias.

#2 medo de assumir responsabilidades

toda vez que falho a um compromisso ou sinto um bloqueio num aprofundamento de relações. Toda vez que não me dedico a uma tarefa que quero me envolver. 

#3 medo de crítica

toda vez que não me expresso, que me calo, que não escrevo. Por achar que não vou conseguir atingir a perfeição, acabo nem tentando, nem fazendo o mínimo.

#4 medo de ser bonita

é uma contradição dentro de mim, ao mesmo tempo que não quero ser feia, me sinto com medo de ser bonita demais, ou ser julgada como fútil por me preocupar com certos cuidados. Não que eu me ache bonita, mas também sei que não sou feia. Tanto é a contradição que eu nem sei explicar!

Confuso? Sim. 

Estranho? Eu também acho.

Sincero? Pois é, tentei tirar esses medos do fundo da minha alma. 

Mas, viu? Meus medos são mais silenciosos e maiores que a Abigail.

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